Os Estados Unidos devem cessar imediatamente as ameaças de uso da força contra o Irã, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, nesta terça-feira (17).
Araqchi discursava em uma conferência sobre desarmamento em Genebra, após conversas entre representantes dos EUA e do Irã realizadas na cidade suíça no início do dia.
O ministro também afirmou que os países chegaram a um entendimento sobre os principais “princípios orientadores” na segunda rodada de negociações indiretas sobre a disputa nuclear, mas isso não significa que um acordo seja iminente.
“Diferentes ideias foram apresentadas, essas ideias foram seriamente discutidas e, por fim, conseguimos chegar a um acordo geral sobre alguns princípios orientadores. A partir de agora, avançaremos com base nesses princípios e analisaremos o texto de um possível acordo”, disse Araqchi à mídia iraniana.
Após a troca de documentos, as duas partes decidirão a data para uma terceira rodada de negociações, acrescentou ele.
EUA aumentam a presença militar no Oriente Médio
Os Estados Unidos enviaram a própria força militar no Oriente Médio para pressionar Teerã a fazer concessões na disputa nuclear que se arrasta há décadas, e o presidente Donald Trump afirmou que uma “mudança de regime” em Teerã pode ser a melhor solução.
A mídia estatal iraniana informou que o Irã fecharia temporariamente parte do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo, enquanto realizava negociações sobre seu programa nuclear.
Ao mesmo tempo, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, advertiu nesta terça-feira (17) que qualquer tentativa dos EUA de depor seu governo fracassaria.
Os contratos futuros de petróleo caíram e o preço do contrato de referência do petróleo Brent recuou mais de 1% após os comentários de Araqchi terem amenizado parte da tensão sobre a iminente interrupção do fornecimento.
Falando ainda na conferência sobre desarmamento em Genebra, Araqchi afirmou que uma “nova janela de oportunidade” havia se aberto e que esperava que as conversas levassem a uma solução “sustentável” que garantisse o pleno reconhecimento dos direitos legítimos do Irã.
O enviado dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Trump, participaram das negociações, que foram mediadas pelo Omã, segundo uma fonte a par do assunto informou à agência de notícias Reuters. A Casa Branca não respondeu a perguntas enviadas por e-mail sobre a reunião.
Anteriormente, Trump havia dito que ele próprio participaria “indiretamente” das negociações em Genebra e que acreditava que Teerã desejava chegar a um acordo.
“Não acho que eles queiram as consequências de não chegar a um acordo”, declarou o líder americano a repórteres a bordo do Air Force One na segunda-feira (16). “Poderíamos ter chegado a um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2.”
Os EUA se uniram a Israel em junho do ano passado no bombardeio de instalações nucleares iranianas.