Brasília,

A capital mais arborizada do Brasil tem mais de 90% das ruas com árvores e é hexacampeã de um título mundial verde


Apelidada de Cidade Morena por causa da terra avermelhada, Campo Grande guarda um recorde que poucos esperam de uma capital do Centro-Oeste. A capital do Mato Grosso do Sul tem mais de 90% das ruas com pelo menos uma árvore e acumula seis títulos internacionais ligados à sua floresta urbana.

O que faz a Cidade Morena tão diferente das outras capitais?

O traço mais marcante é a quantidade de verde nas ruas. Segundo dados oficiais do Censo de 2022, 91,4% dos domicílios da cidade ficam em vias com pelo menos uma árvore, índice que coloca a capital sul-mato-grossense no topo do ranking nacional de arborização entre as capitais.

O apelido tem origem curiosa. No início do século XX, as ruas ainda eram de terra batida e a poeira avermelhada cobria calçadas, casas e até a pele de quem passava. O arcebispo Dom Francisco de Aquino Corrêa, que gostava de associar cidades a cores, batizou o lugar de Cidade Morena pela tonalidade da terra, não da pele.

A mesa também conta uma história de mistura. O prato típico da cidade é o sobá, espécie de macarronada com caldo, carne e cebolinha trazida por imigrantes da Ilha de Okinawa a partir de 1908. A receita japonesa virou patrimônio cultural imaterial do Brasil e hoje é servida até nas barracas da Feira Central.

A capital com 91% das ruas arborizadas e o maior aquário de água doce do mundo é a 2ª melhor em qualidade de vida do Brasil
Campo Grande, Mato Grosso do Sul // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Vale a pena viver na capital sul-mato-grossense?

Para quem busca conforto térmico e contato com a natureza dentro da cidade, os indicadores ajudam. A ampla arborização reduz a temperatura nas ruas, melhora a qualidade do ar e incentiva caminhadas, segundo a Prefeitura de Campo Grande.

A cidade foi planejada com ruas e avenidas largas, e o verde acompanha esse traçado. São cerca de 213 mil residências em ruas com cinco ou mais árvores, um cenário que contrasta com a média nacional, em que um terço da população urbana vive em áreas sem nenhuma árvore. Esse desenho urbano transformou a capital em referência de planejamento sustentável.

A capital com 91% das ruas arborizadas e o maior aquário de água doce do mundo é a 2ª melhor em qualidade de vida do Brasil
Campo Grande, Mato Grosso do Sul // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Quais reconhecimentos a cidade conquistou no Brasil e no mundo?

O destaque ambiental cruzou as fronteiras do país. Campo Grande recebeu pela sexta vez consecutiva o título de Tree City of the World, a Cidade Árvore do Mundo, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e pela Fundação Arbor Day.

O reconhecimento tem peso porque é exigente. Para manter o selo, a cidade precisa comprovar uma estrutura de gestão das árvores urbanas, legislação específica, orçamento para plantio e ações de conscientização. Conforme registra a Prefeitura de Campo Grande, a capital sul-mato-grossense é a única do país a manter o título desde a criação do programa, em 2019.

Ao lado de Paris e Toronto: as 3 cidades brasileiras com mais de 90% das ruas verdes que a ONU reconhece como referência mundial em arborização urbana
Campo Grande, Mato Grosso do Sul // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

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O que fazer em Campo Grande além de admirar as árvores?

A cidade combina parques, museus e cultura indígena sem grandes deslocamentos. Entre os passeios que mais marcam a visita, destacam-se:

  • Parque das Nações Indígenas: um dos maiores parques urbanos do Brasil, com cerca de 119 hectares, trilhas, ciclovias, lago e capivaras circulando livremente.
  • Feira Central: a Feirona campo-grandense, ponto de encontro para provar o sobá e comprar artesanato, declarada patrimônio cultural da cidade.
  • Bioparque Pantanal: considerado o maior aquário de água doce do mundo, reúne mais de 300 espécies da fauna pantaneira em tanques cenográficos.
  • Museu das Culturas Dom Bosco: acervo com milhares de peças indígenas, fósseis e animais da fauna pantaneira, um dos principais museus de etnologia do país.
  • Memorial da Cultura Indígena: na Aldeia Urbana Marçal de Souza, estrutura de bambu e palha que celebra a presença indígena dentro da capital.

Vale lembrar que a Cidade Morena também é porta de entrada para o Pantanal e para Bonito, dois dos destinos naturais mais procurados do país.

Quem deseja explorar os atrativos da capital sul-mato-grossense, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vida sem Paredes, que conta com mais de 50 mil visualizações, onde a Apresentadora mostra um roteiro com pontos turísticos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul:

Qual a melhor época para visitar Campo Grande?

O período entre maio e setembro, a estação seca, é o mais indicado para quem visita Campo Grande, com dias de sol, baixa umidade e temperaturas mais amenas. O verão é quente e chuvoso, com pancadas à tarde. Veja o que esperar em cada estação:

Dezembro a Fevereiro
23°C a 33°C

Dias ardentes em Mato Grosso do Sul com pancadas à tarde. Visite lugares incríveis como os museus e a superestrutura do Bioparque Pantanal.

🌧️ CHUVA ALTA

Março a Maio
20°C a 31°C

As precipitações e o calor vão caindo. Refresque o corpo com boas caminhadas no famoso Parque das Nações Indígenas.

🌤️ CLIMA AMENO

Junho a Agosto
15°C a 29°C

O melhor período da Cidade Morena com dias bem secos e ensolarados! Explore a gigantesca Feira Central e relaxantes passeios ao ar livre.

⭐ MELHOR ÉPOCA

Setembro a Novembro
20°C a 33°C

O calor cresce novamente com as chuvas e inunda a capital de vida! Curta os parques e os clássicos ipês floridos pelas avenidas.

🌸 NATUREZA VIVA

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Vale conhecer a capital mais verde do país

Campo Grande transformou a sombra das árvores em marca registrada e em motivo de orgulho internacional. A Cidade Morena reúne floresta urbana, cultura indígena viva e uma gastronomia que mistura o Japão e o Pantanal num mesmo prato.

Você precisa conhecer Campo Grande, caminhar entre as árvores do Parque das Nações Indígenas e provar um sobá quente na Feira Central.



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