A 72 km de São Paulo, Santos guarda um recorde pouco contado: seus jardins à beira-mar, que se estendem por mais de 5 km entre a areia e o calçadão, são os maiores do mundo, certificados pelo Guinness World Records. A cidade que nasceu de um porto no século XVI combina história colonial, reconhecimento internacional e qualidade de vida de primeiro time.
Quando um engenheiro e um poeta criaram o maior jardim de praia do mundo
A ideia surgiu em 1914, quando o engenheiro sanitarista Saturnino de Brito propôs um plano de urbanização para a orla. O projeto só saiu do papel nos anos 1920, depois de décadas de pressão do poeta Vicente de Carvalho e do prefeito Joaquim Montenegro, que conseguiu a cessão da área ao município em 1922.
O resultado, concluído na década de 1930, é um tapete contínuo de 5.335 metros de comprimento e até 50 metros de largura, com mais de 1.300 canteiros e 70 espécies ornamentais entre palmeiras imperiais, lírios e dracenas. Em 2002, o Guinness World Records certificou o título: maior jardim frontal de praia do planeta. A manutenção diária envolve cerca de 20 profissionais da Coordenadoria de Paisagismo (Copaisa).
O jardim ainda abriga 38 monumentos e esculturas espalhados ao longo da orla, formando uma galeria de arte a céu aberto.

Vale a pena morar em Santos? O que os rankings dizem
Os números são consistentes e variados. A cidade ocupa a 6ª posição nacional em qualidade de vida pelo índice aferido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com nota 0,840, considerada muito alta. É o 3º melhor resultado do estado de São Paulo, conforme a Prefeitura de Santos.
Entre cidades litorâneas com mais de 100 mil habitantes, Santos ocupa o 4º lugar no ranking geral de segurança no país, segundo o Anuário 2024 de Cidades Mais Seguras do Brasil. Em urbanismo, ficou em 1º entre 656 municípios brasileiros pelo Ranking Connected Smart Cities 2024, pela terceira vez consecutiva. A Delta Economics & Finance (DEF), em pesquisa para a Revista Exame, apontou a cidade como a 2ª melhor do Brasil para criar filhos.
O reconhecimento internacional também chegou: em 2015, Santos foi admitida na Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no segmento Cinema, sendo a primeira da América Latina nessa categoria. Em 2022, sediou o encontro anual da rede, recebendo representantes de 106 cidades de 90 países.

O que fazer em Santos?
A cidade distribui suas atrações entre o Centro Histórico e a orla. Dá para montar um roteiro de dois dias sem que o tempo sobre. As principais atrações são:
- Jardim da Orla: maior jardim frontal de praia do mundo, com ciclovia, pista de caminhada e quiosques ao longo de 5,3 km. Ponto de partida ideal para explorar as praias do Gonzaga, Boqueirão e Ponta da Praia.
- Museu do Café: instalado na antiga Bolsa Oficial do Café de 1922, na Rua XV de Novembro. Conta a trajetória do produto que transformou o porto e o país, com exposições, acervo histórico e cafeteria com grãos raros. Entrada gratuita aos sábados.
- Museu Pelé: dedicado a Edson Arantes do Nascimento, com camisas, chuteiras, troféus e documentos do maior atleta do século XX. Acesso gratuito.
- Monte Serrat: a 157 metros de altitude, com vista panorâmica da cidade e da baía. No alto está a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, datada de 1603 e padroeira da cidade. O funicular sobe a cada 30 minutos.
- Bonde Turístico: percurso de 5 km pelo Centro Histórico, com guia turístico, passando por 40 pontos históricos. Parte do Largo Marquês de Monte Alegre, no bairro do Valongo.
- Aquário Municipal: o mais antigo do Brasil e o segundo em visitação no Estado de São Paulo, com tubarões, pinguins, tartarugas e lobos-marinhos em mais de 3 mil m² de área.
- Orquidário Municipal: parque zoobotânico com espécies raras de flora e fauna da Mata Atlântica, às margens da orla oeste da cidade.
A gastronomia de Santos é marcada pela tradição caiçara e pela influência dos imigrantes que chegaram pelo porto:
- Frutos do mar frescos: ostras, camarões, lulas e peixes servidos nos restaurantes da orla e no mercado de peixes da Ponta da Praia. A mistura caiçara com influências japonesa, italiana e árabe cria uma gastronomia plural.
- Peixe grelhado à caiçara: receita tradicional com ervas e limão, presente nos bares e restaurantes do bairro Gonzaga.
- Cafeteria do Museu do Café: serve grãos de diversas regiões do Brasil, incluindo os mais raros e caros do país, com bebidas que têm o café como base.
Quem busca um roteiro cultural, praiano e gastronômico perto da capital paulista, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Pronta Para o Sim | Fabiola Ferreira, que conta com mais de 125 mil visualizações, onde Fabiola Ferreira mostra o que fazer e a gastronomia de Santos, São Paulo:
Quando ir a Santos e o que fazer em cada época do ano?
O clima de Santos é tropical úmido, com chuvas distribuídas ao longo do ano e verões quentes. O inverno é o período de menor precipitação, mas a temperatura permanece agradável para passeios. Cada estação oferece uma experiência diferente:
24°C a 34°C
O litoral paulista ferve com calor constante e chuvas de tarde. Proteja-se curtindo as lindas praias pela manhã e os excelentes museus à tarde.
🌧️ CHUVA ALTA
20°C a 28°C
O volume de água cai bastante e o clima fica ameno e relaxante. Caminhe tranquilamente pelo deslumbrante Jardim da orla e no nostálgico passeio de bonde.
🌤️ CLIMA AMENO
16°C a 24°C
A melhor janela com a menor precipitação do ano! Cenário claro e perfeito para focar no marcante Centro Histórico e no imperdível Museu do Café.
⭐ MELHOR ÉPOCA
20°C a 30°C
Os termômetros começam a subir devagar com a trégua das chuvas intensas. Aproveite o ar livre subindo o Monte Serrat e relaxe fazendo o passeio de escuna.
🌸 CHUVA MÉDIA
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Santos?
De carro, o acesso mais comum é pela Via Anchieta (SP-150) ou pela Rodovia dos Imigrantes (SP-160), ambas saindo de São Paulo: cerca de 72 km e aproximadamente 1 hora em condições normais de tráfego. De ônibus, há linhas frequentes saindo do Terminal Tietê e do Terminal Jabaquara da capital com destino à rodoviária de Santos, no centro da cidade. Para quem vem do litoral sul, o acesso se dá pela Rodovia Padre Manuel da Nóbrega (SP-055).
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A cidade que cresceu junto com seu porto e não esqueceu o mar
Santos é uma das poucas cidades brasileiras onde história, qualidade de vida e beleza natural se somam sem esforço. Do jardim recordista à orla até os museus instalados em palacetes do ciclo do café, o destino entrega muito mais do que uma praia bonita.
Você precisa conhecer Santos e entender por que a cidade que nasceu como escala de bandeirantes segue sendo, quatro séculos depois, uma das melhores do Brasil para viver e visitar.