Em Pelotas, no extremo sul do Rio Grande do Sul, casarões de fachadas francesas convivem com bancas de doces que servem receitas do século XIX. A Princesa do Sul foi reconhecida em 2024 pelo Governo Federal como Capital Nacional do Doce e guarda um centro histórico tombado nacionalmente, tudo a 260 km da capital gaúcha.
Da aristocracia do charque ao patrimônio do doce
A história começou em 1780, quando o português José Pinto Martins fundou a primeira charqueada às margens do Arroio Pelotas, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A produção de carne salgada para abastecer o Brasil colonial transformou o município em um dos pontos mais ricos do país.
Entre 1800 e 1900, a fortuna do charque construiu uma sociedade aristocrática única no Brasil. Habitaram a cidade nove barões, dois viscondes e um conde, grupo que ficou conhecido como a aristocracia do charque, conforme registra o IPHAN. Os palacetes construídos com materiais europeus e fachadas em estilo eclético ainda definem o cenário do centro.
O reconhecimento do conjunto veio em 2018, quando o Conjunto Histórico de Pelotas foi tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro, segundo a Prefeitura Municipal de Pelotas. O tombamento abrange quatro praças, a Charqueada São João, a Chácara da Baronesa e dezenas de casarões.

Vale a pena visitar a Princesa do Sul?
Sim. Pelotas reúne em poucos quarteirões o maior conjunto arquitetônico do ciclo do charque preservado no país e uma tradição doceira reconhecida em dois títulos federais. A cidade oferece turismo cultural, gastronômico e histórico em qualquer estação do ano.
O selo mais recente veio em 2024, quando o Ministério do Turismo oficializou o município como Capital Nacional do Doce, conforme publicação oficial do governo federal. O reconhecimento veio somado a outro título antigo: as Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas foram registradas pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial, segundo o próprio instituto.
O ponto alto do calendário turístico é a Feira Nacional do Doce (Fenadoce), a maior feira do gênero do país. O evento acontece desde 1986 e reúne shows, exposições e degustações em torno das receitas tradicionais. A 33ª edição está confirmada para 2026, com programação publicada pelo site oficial da Fenadoce.

O que fazer no centro histórico tombado?
O município concentra atrações em um raio pequeno, o que facilita roteiros de fim de semana. Entre os pontos mais visitados, destacam-se:
- Praça Coronel Pedro Osório: principal praça do centro, com a Fonte das Nereidas, o Grande Hotel, o Theatro Sete de Abril (inaugurado em 1834) e o Mercado Público ao redor.
- Charqueada São João: construída em 1810, é a única que mantém arquitetura original e acervo preservado, segundo o IPHAN. Serviu de cenário para a minissérie A Casa das Sete Mulheres.
- Chácara da Baronesa: solar do século XIX cercado por jardins, hoje museu sobre a vida da nobreza local.
- Catedral de São Francisco de Paula: igreja matriz tombada, faz parte do conjunto histórico nacional.
- Mercado Público Central: funciona desde 1853 e abriga as bancas mais tradicionais de doces típicos.
- Praia do Laranjal: balneário na orla da Lagoa dos Patos, com pôr do sol famoso e estrutura de quiosques.
A culinária pelotense é o motivo de pelo menos um dia na cidade. Entre as receitas que viraram patrimônio, vale provar:
- Quindim: doce de gema, açúcar e coco, considerado um dos símbolos da tradição local.
- Bem-casado: dois biscoitos amanteigados unidos por doce de leite e cobertos com glacê.
- Camafeu: doce fino feito com nozes, açúcar e ovos, embrulhado em papel rendado.
- Olho de sogra: ameixa preta recheada com doce de coco, presença obrigatória em festas locais.
- Fios de ovos: receita de origem portuguesa feita com gemas finíssimas em calda de açúcar.
- Pessegada: doce em pasta produzido com o pêssego da safra regional, herança dos imigrantes europeus.
Quem quer conhecer a capital nacional do doce, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Por Onde INDO 🌏 Rony & Bruna, que conta com mais de 156 mil visualizações, onde Rony & Bruna mostram um roteiro pelo centro histórico, arquitetura e doces tradicionais de Pelotas, Rio Grande do Sul:
Quando o clima de Pelotas favorece cada tipo de passeio?
O clima de Pelotas é subtropical úmido com as quatro estações bem definidas. Os verões são amenos e os invernos são frios, com geadas frequentes e temperaturas que se aproximam dos 5°C nas manhãs mais rigorosas.
18°C a 30°C
As precipitações chegam com o forte calor do sul em uma transição suave. Desfrute desse excelente clima ameno passando tempo focado na bela Praia do Laranjal e pela Lagoa dos Patos.
🌤️ CHUVA MÉDIA
13°C a 24°C
Os dias começam a esfriar rápido e o clima aconchegante reina na cidade! Aprecie a inesquecível e vasta história nos clássicos museus e o relaxamento na rota com suas belas Charqueadas e bons museus.
🌤️ CHUVA MÉDIA
7°C a 18°C
Os termômetros chegam ao piso extremo acompanhado de muitas ricas geadas e chuva. Sinta o calor da região mergulhando nas tradições doces e rústicas com um excelente café relaxante nos imponentes casarões e não perca em hipótese nenhuma a deliciosa Fenadoce.
⭐ EVENTO FAMOSO
12°C a 25°C
O ar frio vai embora gradativamente com a queda na alta umidade! Aproveite para desfrutar plenamente do momento livre realizando a clássica jornada pelo formoso Centro histórico e descansos revigorantes e constantes em volta à Praça Pedro Osório.
🌸 CHUVA MÉDIA
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital dos quindins
A cidade fica a 261 km de Porto Alegre, distância vencida em cerca de 3 horas pela BR-116, principal rota de acesso a quem vem do norte gaúcho. O aeroporto mais próximo é o Salgado Filho, na capital, com voos diários ligando o Rio Grande do Sul ao resto do país.
Quem chega pelo sul costuma vir pela mesma BR-116 vindo de Rio Grande, a apenas 56 km do centro. Há linhas regulares de ônibus partindo da rodoviária de Porto Alegre várias vezes ao dia, com travessia possível também por barco entre as cidades portuárias da região.
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Conheça a cidade que transformou o doce em patrimônio
A Princesa do Sul reúne um conjunto raro no Brasil: arquitetura francesa preservada, dois títulos federais ligados aos doces e a maior feira do gênero do país. Caminhar pelo centro é atravessar três séculos de história sem sair de poucos quarteirões.
Você precisa visitar Pelotas e provar um quindim feito com a mesma receita que as cozinheiras das charqueadas serviram nos casarões há mais de 150 anos.