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A cidade que foi demolida e afundada por um açude e renasceu do zero a 50 km dali: a primeira cidade totalmente planejada do Ceará


No sertão do Ceará, existe uma cidade que morreu afogada e renasceu em outro lugar. Essa é Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, a 225 km de Fortaleza. Para erguer o maior açude do país, a antiga sede foi inteiramente demolida e submersa, e uma nova cidade foi planejada do zero para receber os moradores, num dos episódios mais incomuns da história urbana brasileira.

A cidade que foi submersa para virar açude

O destino da cidade mudou por causa da água. Para construir o Açude Castanhão, a maior obra hídrica do Ceará, dois terços do território de Jaguaribara foram inundados, e a antiga sede precisou ser demolida, segundo a Prefeitura de Jaguaribara.

As primeiras notícias da obra chegaram em 1985. Depois de anos de incerteza, cerca de 8 mil pessoas da área urbana e rural foram deslocadas, e a cidade velha desapareceu sob as águas a partir de 2001, deixando para trás ruas, casas e a antiga igreja.

Jaguaribara, Ceará // Créditos: Wikimedia Commons

A primeira cidade planejada do Ceará

O renascimento foi projetado nos mínimos detalhes. A nova sede, erguida a cerca de 50 km da anterior, foi a primeira cidade totalmente planejada do Ceará, inaugurada em 25 de setembro de 2001, segundo a Prefeitura de Jaguaribara.

Tudo nasceu pronto. O núcleo urbano foi entregue com rede de água, esgoto e energia em toda a cidade, e o traçado reuniu prefeitura, câmara, fórum e mercado público em uma área central. Para amenizar a perda, foram construídas réplicas da igreja matriz e da capela do antigo distrito de Poço Comprido.

Jaguaribara, Ceará // Créditos: Wikimedia Commons

O gigante de água que mudou tudo

O motivo de toda a mudança é uma das maiores obras do semiárido. O Açude Castanhão, construído entre 1995 e 2002 no leito do rio Jaguaribe, é o maior reservatório de uso múltiplo da América Latina, com capacidade para 6,7 bilhões de metros cúbicos de água, segundo o Governo do Estado do Ceará.

Sozinho, ele responde por mais de um terço de toda a água armazenada nos milhares de açudes cearenses. O reservatório abastece o Vale do Jaguaribe, sustenta a agricultura irrigada e a piscicultura e, quando necessário, ajuda a abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza.

Quando a seca traz a cidade velha de volta

A antiga Jaguaribara nunca desapareceu de vez. Nos períodos de seca severa, quando o nível do Castanhão despenca, as ruínas da cidade submersa voltam a aparecer na paisagem.

Foi o que aconteceu em 2013, durante uma das piores estiagens em décadas, segundo a Agência Brasil. Antigos moradores voltaram ao local para reencontrar os escombros das casas e da igreja, num reencontro emocionado com a cidade que perderam.

O que fazer em Jaguaribara?

A cidade combina a história singular da realocação com o lazer às margens do grande lago. Entre os principais pontos, destacam-se:

  • Açude Castanhão: o imenso espelho d’água, com pesca esportiva, passeios de barco e lazer náutico.
  • Igreja matriz de Santa Rosa de Lima: réplica do templo da cidade velha, símbolo da memória dos moradores.
  • Núcleo planejado: o centro projetado, com praças e prédios públicos distribuídos de forma simétrica.
  • Ruínas da cidade submersa: visíveis às margens do açude nos períodos de seca, atração de quem busca a história local.
  • Praias de água doce: trechos de areia formados na beira do reservatório, usados para banho na região.

Quem deseja planejar a viagem perfeita para o sertão cearense e desvendar as memórias de um dos marcos da engenharia no Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diário do Nordeste, que conta com mais de 168 mil visualizações. No conteúdo, o canal Diário do Nordeste mostra um roteiro completo trazendo a emocionante trajetória de Jaguaribara, a cidade inundada, o surgimento do município planejado e curiosidades sobre o Açude Castanhão, o maior açude do Brasil.

Quando é a melhor época para visitar?

O segundo semestre, mais seco, costuma ter céu limpo e é quando, nas estiagens mais fortes, as ruínas da cidade velha podem reaparecer. O calor é intenso o ano inteiro, marca do sertão cearense.

Entre fevereiro e maio, a estação chuvosa enche o açude e deixa a paisagem mais verde, melhor momento para ver o reservatório cheio. As ruínas, porém, ficam novamente cobertas pela água.

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Conheça a cidade que renasceu das águas

Jaguaribara reúne uma história rara de perda e recomeço, o maior açude da América Latina e a memória de uma cidade que dorme sob as águas. Poucos lugares no país carregam um capítulo tão singular de reinvenção.

Vale conhecer Jaguaribara, navegar pelo Castanhão e ouvir dos moradores a história da cidade que precisou mudar de lugar para continuar existindo.



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