Igrejas brancas no alto das colinas, ruas de pedra e o casario que guarda o ouro do açúcar. Essa é Laranjeiras, no Vale do Cotinguiba, em Sergipe, a apenas 18 km de Aracaju. Uma das vilas mais antigas do estado, a cidade enriqueceu com a cana, virou centro de cultura e fé e hoje é um dos maiores tesouros históricos do Nordeste.
A cidade que o açúcar fez nascer
A origem está nos canaviais. Fundada no início do século 17, Laranjeiras ergueu-se às margens do Rio Cotinguiba, que escoava a produção dos engenhos, e no século 19 foi a maior e mais rica cidade de Sergipe, centro do comércio do açúcar.
O rio era a estrada da riqueza. Pelos trapiches, grandes armazéns à beira d’água, passava a cana que abastecia o Brasil e o exterior. Esses mesmos galpões do século 19 sobrevivem no centro histórico, e hoje abrigam a Universidade Federal de Sergipe e o Mercado Municipal.

A Atenas Sergipana e seus 500 casarões
A herança colonial rendeu fama e proteção. Conhecida como Atenas Sergipana, por suas colinas coroadas de igrejas e pela intensa vida cultural, Laranjeiras preserva um dos conjuntos coloniais mais completos do estado.
O reconhecimento é oficial. O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1995, com cerca de 500 edificações protegidas, segundo o IPHAN. O casario do século 19 e as igrejas do século 18 fizeram da cidade um sítio que rendeu até um curso de Arqueologia da universidade.

Igrejas centenárias e a fé afro-brasileira
A religiosidade é uma das marcas mais fortes da cidade. No alto das colinas estão igrejas como a Matriz do Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, erguida pelos jesuítas, parte de um cenário monumental do período colonial.
Mas a fé de Laranjeiras tem muitas faces. A cidade é conhecida por seus terreiros de matriz africana e pela comunidade quilombola da Mussuca, que preserva o Samba de Pareia, segundo o portal Turismo Sergipe. Esse sincretismo aparece nas festas e procissões ao longo do ano.
O maior encontro de cultura popular do país
A vocação cultural ganha forma em janeiro. Desde 1975, Laranjeiras sedia o Encontro Cultural de Laranjeiras, considerado um dos maiores eventos de cultura popular do Brasil, segundo o portal Turismo Sergipe.
O evento toma a cidade inteira. Por uma semana, grupos folclóricos, mestres da tradição, pesquisadores e turistas ocupam ruas, praças e igrejas com cortejos, danças, oficinas e um simpósio acadêmico, em uma celebração rara da cultura popular brasileira.
O que fazer em Laranjeiras?
O centro histórico se percorre a pé, em poucas horas. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Centro Histórico: ruas de pedra, trapiches e casarões coloniais às margens do Rio Cotinguiba.
- Igreja da Comandaroba: templo jesuíta do século 18, com detalhes únicos em sua construção.
- Museu de Arte Sacra: acervo de imagens e peças religiosas em um casarão histórico do centro.
- Casa de Cultura João Ribeiro: dedicada ao escritor laranjeirense da Academia Brasileira de Letras.
- Gruta da Pedra Furada: formação natural nos arredores, ligada à história de fuga de escravizados.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para conhecer a história e o charme de uma das cidades mais importantes do interior sergipano, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Japa Estrada com Fabi, que conta com mais de 7 mil visualizações.
No conteúdo, a Japa Estrada com Fabi mostra um roteiro completo explorando o centro histórico de Laranjeiras, suas diversas igrejas, o Museu de Arte Sacra, o Museu Afro-brasileiro, a arquitetura colonial, além de dicas imperdíveis do que visitar nesta cidade que é considerada o berço da cultura popular em Sergipe.
Conheça o berço da cultura sergipana
Laranjeiras reúne o legado do açúcar, igrejas centenárias e uma cultura popular afro-brasileira viva no coração de Sergipe. Poucos lugares do Nordeste guardam tanta história e tradição a tão poucos minutos da capital.
Vale conhecer Laranjeiras, caminhar pelas ruas de pedra da Atenas Sergipana e sentir a força da cultura popular que a cidade preserva há séculos.