Um psicanalista que fugiu do nazismo e dedicou a vida a entender por que as pessoas se relacionam de forma tão frustrante deixou uma frase que redefine o amor. Erich Fromm não acreditava em paixões avassaladoras que nos arrebatam sem esforço. Ele defendia que o amor como compromisso é uma arte que exige disciplina, humildade e coragem.
Como a biografia de Erich Fromm moldou sua visão sobre o amor como compromisso?
Erich Fromm nasceu em 1900 na Alemanha, em uma família judia ortodoxa. A psicanálise o fascinava, mas ele rompeu com a ortodoxia freudiana ao incluir a sociedade na equação do sofrimento humano. Para Fromm, a neurose não era apenas um conflito interno, mas um reflexo de estruturas sociais doentias.
Com a ascensão do nazismo, exilou-se nos Estados Unidos. Lá, publicou A Arte de Amar, um livro que vendeu milhões de cópias e que permanece atual. Sua obra humanista defende que o amor não é um sentimento que simplesmente acontece, mas uma habilidade que se desenvolve com prática e maturidade.

Quais os pilares da visão de Erich Fromm sobre o amor como compromisso e a crítica ao consumismo afetivo?
Fromm observou que o capitalismo transformou o amor em uma mercadoria. As pessoas escolhem parceiros como escolhem produtos, baseadas em atributos superficiais, e descartam relações quando o prazer inicial se esgota. O amor como compromisso se opõe a essa lógica ao exigir cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.
Os três pilares que sustentam a visão frommiana sobre o amor são:
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O amor como arte
Fromm acreditava que o amor é uma arte que exige teoria e prática. Não se ama por acaso, mas porque se aprendeu a amar.
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Consumismo afetivo
A lógica do mercado transformou parceiros em mercadorias. Busca-se um “pacote” de atributos em vez de um encontro genuíno.
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Amor-próprio como base
Para Fromm, só ama o próximo quem ama a si mesmo. O amor-próprio não é egoísmo, mas o reconhecimento da própria dignidade.
Como a cultura moderna distorceu o amor como compromisso em posse e consumo?
Fromm morreu em 1980, mas sua análise parece descrever os aplicativos de relacionamento atuais. A ideia de que o amor é uma mercadoria que se escolhe em um cardápio digital e se descarta quando surge alguém “melhor” é exatamente o que ele denunciava como a falência do afeto genuíno.
O consumismo afetivo reduz o outro a um objeto que deve satisfazer necessidades imediatas. Quando a novidade acaba, o relacionamento é descartado. Fromm propõe o caminho inverso: o amor não é algo que se encontra pronto, mas algo que se constrói com paciência e dedicação.
Quais as diferenças entre o verdadeiro afeto e o simples desejo de posse?
Fromm distingue o amor maduro do amor imaturo. O amor imaturo diz “eu te amo porque preciso de ti”. O amor maduro diz “eu preciso de ti porque te amo”. A diferença está na autonomia: quem ama de verdade não quer possuir, mas apoiar o crescimento do outro.
O filósofo alertava que o ciúme excessivo, o controle e a dependência emocional não são provas de amor, mas sintomas de imaturidade. O amor como compromisso é uma decisão consciente de cuidar do outro sem sufocá-lo.

Como a visão de Erich Fromm se compara a outros pensadores do amor?
A ideia de que o amor é uma construção ativa não é exclusiva de Fromm, mas ele a desenvolveu com profundidade clínica. A tabela abaixo mostra como diferentes pensadores abordaram o tema do amor maduro e do compromisso.
Uma visão comparativa entre pensadores que refletiram sobre o amor como ação:
| Pensador | Visão sobre o amor | Énfase | Status |
|---|---|---|---|
|
Erich Fromm Psicanálise humanista |
O amor é uma arte que exige disciplina, responsabilidade e conhecimento | Compromisso ativo | Referência em psicologia |
|
Platão Filosofia grega |
O amor é a busca pela completude perdida; uma escalada do corpo à ideia de beleza | Amor como elevação espiritual | Clássico |
|
Bell Hooks Feminismo contemporâneo |
O amor é uma ação, não um sentimento; exige cuidado, compromisso e justiça | Amor como prática política | Diálogo com Fromm |
O que a obra de Erich Fromm ainda tem a ensinar sobre a arte de amar?
Erich Fromm morreu em 1980, mas sua advertência contra a mercantilização do afeto permanece atual. O amor como compromisso não é uma ideia romântica, mas uma proposta radical em tempos de descartabilidade emocional.
A psicanálise humanista ensina que o amor não é um estado de graça que simplesmente acontece, mas uma construção diária que exige coragem. Fromm nos lembra que o verdadeiro afeto não se encontra pronto: ele se constrói com as próprias mãos, todos os dias.