Quem se depara com algum vídeo de Zico pela primeira vez costuma precisar de alguns segundos para acreditar no que está vendo. O urubu Zico atende quando é chamado pelo nome, corre saltitando em direção ao tutor, gosta de carinho e até procura companhia para brincar. O comportamento fez a ave ganhar o apelido de “cachorro de penas” e despertar a curiosidade de milhares de pessoas que o acompanham nas redes sociais.
Quem é Zico e como ele foi parar na casa de um adestrador?
Russo, conhecido na internet como Mago dos Animais, encontrou Zico ainda filhote durante uma obra realizada nos fundos de casa. Ele achou três filhotes de urubu. Um deles já havia morrido. Os outros dois estavam muito debilitados. Sem encontrar qualquer adulto por perto, Russo colocou os filhotes em uma caixa de papelão e resolveu esperar algum tempo para verificar se os pais voltariam. No entanto, ninguém apareceu. Foi então que ele decidiu cuidar dos sobreviventes.
Hoje, com aproximadamente um ano de idade, Zico vive praticamente como um animal livre. Ele voa diariamente, acompanha outros urubus e passa boa parte do tempo explorando diferentes regiões. Mesmo assim, sempre retorna para casa, principalmente quando sente o cheiro do café. Zico também gosta de brincar com meias e calçados e, em alguns momentos, pula nas pessoas para chamar atenção, tal qual um cachorro.

Por que Zico se comporta como um cachorro?
O comportamento de Zico não é fruto de técnicas rígidas de adestramento, mas de uma convivência próxima e afetuosa com seu tutor. Sem utilizar métodos rígidos de treinamento, Russo começou apenas a conversar com o urubu e percebeu que ele prestava atenção ao que ele dizia. Assim, ele foi aprendendo alguns comandos. Em um dos registros publicados por Russo, Zico aparece pousado sobre um muro. Assim que escuta um “Vem, Zico!”, a ave levanta voo, pousa no chão e começa a pular em direção do tutor.
Os três pilares que explicam essa relação surpreendente são:
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Inteligência e capacidade de aprendizado
Os urubus são aves inteligentes e observadoras. Zico aprendeu comandos e associações simples ao ser exposto à rotina e à voz do tutor.
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Vínculo afetivo e confiança
Russo não usou métodos rígidos de adestramento. A relação de confiança e afeto construída desde filhote foi a base do comportamento dócil de Zico.
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Liberdade com vínculo
Zico vive solto, voa e interage com outros urubus, mas sempre retorna para casa. O vínculo com o tutor é mais forte que o instinto de vida selvagem.
Quais são as principais características do urubu-preto, a espécie de Zico?
O urubu-preto é a menor espécie de urubu encontrada no Brasil em relação à envergadura entre os urubus mais comuns. Fisicamente, mede entre 56 e 76 centímetros de comprimento e apresenta envergadura que pode chegar a aproximadamente 1,43 metro. A espécie possui características notáveis que ajudam a entender o comportamento de Zico.
Algumas curiosidades sobre o urubu-preto são:
- Ótima visão: o urubu-preto depende muito mais da visão do que do olfato para encontrar alimento. A capacidade visual é excelente, permitindo localizar comida a grandes distâncias.
- Economia de energia: a ave aproveita as correntes de ar quente durante o voo para planar e economizar energia.
- Função ecológica: alimenta-se de carcaças e materiais orgânicos em decomposição, desempenhando um papel importante na limpeza do ambiente.
- Comportamento social: a espécie pratica o allopreening, quando uma ave limpa cuidadosamente as penas de outra, fortalecendo laços sociais.
Como um adestrador de cães se tornou pai de um urubu?
Russo possui longa experiência trabalhando com diferentes espécies. Depois de deixar o Exército, passou a atuar com cães farejadores e animais utilizados em operações de busca e resgate. Ao longo da carreira, também treinou dezenas de espécies diferentes. Segundo ele, já trabalhou com aproximadamente 25 tipos de animais, incluindo galinhas, gatos e até baratas. Além disso, realizou treinamentos para animais pertencentes a artistas famosos. Mesmo com toda essa experiência, Russo afirma que a convivência com Zico continua surpreendendo diariamente.
O adestrador ressalta que o segredo da relação com Zico não está em técnicas avançadas, mas na paciência e na observação. Ele conversa com o urubu e respeita seus limites, permitindo que a ave mantenha sua natureza selvagem enquanto desfruta do convívio humano.

O que o caso de Zico revela sobre a relação entre humanos e animais selvagens?
A história de Zico quebrou completamente a imagem negativa associada aos urubus. Internautas se encantaram: “Agora eu quero um. Onde encontro?”, escreveu uma. “Ele vindo pulando, todo siricutiquinho”, disse outra. “Urubus são maravilhosos, mas as pessoas não estão preparadas para esse assunto”, escreveu uma terceira pessoa.
A tabela abaixo resume os principais aprendizados que a história de Zico nos proporciona:
| Ensinamento | Como Zico exemplifica | Impacto |
|---|---|---|
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Quebra de estigmas Urubus são vistos como sujos ou agressivos |
Zico é dócil, carinhoso e inteligente, desconstruindo a imagem negativa da espécie | Mudança de percepção |
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Inteligência animal Aves são capazes de aprender e se adaptar |
Zico aprendeu comandos e associações, respondendo ao nome e à voz do tutor | Valorização da fauna |
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Respeito à natureza selvagem Animais silvestres não devem ser domesticados à força |
Zico vive solto, voa e interage com outros urubus, mantendo sua essência selvagem | Convívio equilibrado |
O que a história de Zico nos ensina sobre a convivência entre espécies?
A história de Zico é um lembrete de que os animais são muito mais complexos e surpreendentes do que imaginamos. Um urubu, ave que muitos associam a imagens negativas, pode ser carinhoso, inteligente e leal. Zico não foi domesticado à força; ele foi acolhido, respeitado e incentivado a ser quem é. E, no caminho, mostrou que o vínculo entre humanos e animais pode transcender barreiras de espécie.
Que a história de Zico inspire mais pessoas a olhar com outros olhos para a fauna ao redor e a reconhecer que cada animal, por mais incomum que pareça, tem seu próprio jeito de ser e de se conectar. Afinal, como disse uma internauta: “Urubus são maravilhosos, mas as pessoas não estão preparadas para esse assunto”. Talvez, com histórias como a de Zico, estejamos começando a ficar.