Brasília,

Uma piscina natural de 6 metros de profundidade e mais de 30 trilhas na Mata Atlântica: o distrito serrano do Rio fica a 700 metros de altitude


Existe um distrito na região serrana do Rio de Janeiro em que uma piscina natural de 6 metros de profundidade convive com mais de 30 trilhas oficiais, cachoeiras em fenda de rocha e um lago no coração de um vilarejo colonial. Lumiar, quinto distrito de Nova Friburgo, tem apenas 5 mil habitantes e fica a 700 metros de altitude, cercado pela Reserva Ecológica de Macaé de Cima. É ali que nasce o Rio Macaé, o mesmo que dá nome à Capital Nacional do Petróleo, a 160 km dali. Uma vila serrana pequena, mas com uma agenda de aventura que compete com destinos consagrados do sudeste.

Como Lumiar foi fundado em 1828?

As origens de Lumiar estão diretamente ligadas à colonização de Nova Friburgo, iniciada em 1820 com a chegada de imigrantes suíços, franceses e alemães ao interior fluminense. O distrito foi fundado em 1828, oito anos depois da chegada da primeira leva de colonos europeus, e cresceu às margens do Rio Macaé como núcleo agrícola e comercial da região. A pequena praça central, o coreto e o lago que forma o cartão-postal do centro carregam ecos dessa herança europeia.

Segundo material publicado pela Prefeitura de Nova Friburgo, o quinto distrito preserva vegetação de Mata Atlântica em uma extensão significativa do território municipal. A altitude de 700 metros suaviza as temperaturas de verão e intensifica o frio no inverno, o que ajudou a moldar a arquitetura local de casas de madeira, chalés e pousadas com lareira.

Lumiar (Nova Friburgo) — RJ // Créditos: Wikimedia Commons

Por que o Rio Macaé nasce nas proximidades de Lumiar?

O distrito integra a bacia hidrográfica do Rio Macaé, cujo curso principal nasce na Reserva Ecológica de Macaé de Cima, área protegida sob o município de Nova Friburgo. O vale do rio apresenta altitude média próxima de 1.100 metros, e a queda contínua do relevo cria os declives que originam a maior parte das cachoeiras da região. É essa geografia hidrográfica que sustenta o principal apelo turístico de Lumiar: a densa concentração de quedas d’água em raio relativamente pequeno.

O Rio Bonito, um dos afluentes do Macaé, também nasce na região e vai desaguar no próprio Macaé no ponto conhecido como Encontro dos Rios. É um dos endereços mais visitados do distrito, tanto pelas águas cristalinas quanto pela sensação silenciosa de duas correntes se somando entre paredões de mata.

Lumiar (Nova Friburgo) — RJ // Créditos: Wikimedia Commons

Quais cachoeiras vale conhecer em Lumiar?

Lumiar tem mais de 30 trilhas oficiais mapeadas e um catálogo denso de quedas d’água acessíveis por caminhadas curtas a partir do centro. Vale reservar pelo menos três dias para conhecer o essencial.

  • Toca da Onça: piscina natural com cerca de 6 metros de profundidade, uma das mais procuradas da região, com prática de canoagem e boia-cross.
  • Cachoeira da Boa Vista (Indiana Jones): cânion estreito com pedras que formam um escorrega natural, um dos cenários mais fotografados do sudeste.
  • Cachoeira de São José: queda de 15 metros com área de lazer e ambiente familiar.
  • Poço Verde: piscina de águas transparentes em uma clareira circundada por densa vegetação.
  • Poço do Alemão: um dos pontos mais reservados, com águas geladas.
  • Encontro dos Rios Macaé e Bonito: ponto de convergência de dois afluentes, com prainha para banho.

Este vídeo do canal RumoTrip, com 1,0 mil visualizações, apresenta um roteiro por Lumiar e São Pedro da Serra, distritos charmosos de Nova Friburgo (Rio de Janeiro), destacando o clima aconchegante da serra, cachoeiras e opções gastronômicas.

O que é a Pedra Riscada e por que vale a subida?

A Pedra Riscada é considerada a melhor caminhada da região e tem 1.348 metros de altitude no topo. A trilha exige preparo físico, mas oferece vista panorâmica dos vales da Serra do Mar e do Parque Estadual dos Três Picos, um dos maiores parques estaduais do Rio de Janeiro. Em dias limpos, é possível ver da Pedra Riscada tanto o litoral fluminense quanto as bordas da região dos lagos.

O parque estadual, criado em 2002 pela Secretaria de Estado do Ambiente, integra o mosaico da Mata Atlântica central fluminense e tem acessos por vários distritos vizinhos de Nova Friburgo, com trilhas de diferentes níveis de dificuldade. Lumiar é uma das portas de entrada mais tranquilas para explorar o parque em roteiros de dois ou três dias.

Como é o clima de Lumiar ao longo do ano?

Lumiar tem clima tropical de altitude, com verões amenos e invernos frios. A temperatura no distrito costuma ficar cerca de 5°C mais baixa que a do litoral fluminense, com noites de julho podendo alcançar valores próximos de zero em pontos elevados.



Dez-Fev
18-28°C

☔ Alta

Dias amenos ideais para curtir as refrescantes cachoeiras e piscinas naturais.

CACHOEIRAS E PISCINAS

Mar-Mai
14-24°C

🌤️ Média

Clima agradável perfeito para caminhadas em trilhas e a rica gastronomia local.

TRILHAS E GASTRONOMIA

Jun-Ago
8-20°C

☀️ Baixa

Ideal! Noites frias perfeitas para aconchegantes pousadas com lareira e fondue.

POUSADAS COM LAREIRA

Set-Nov
13-25°C

🌤️ Média

Paisagens deslumbrantes na Pedra Riscada e no Parque dos Três Picos.

PARQUE TRÊS PICOS



Temperaturas aproximadas com base no Climatempo, referente a Nova Friburgo. Condições podem variar ao longo do ano.

Como chegar em Lumiar?

Lumiar fica a cerca de 31 km do centro de Nova Friburgo e a 160 km da capital fluminense. O acesso é feito pela Rodovia RJ-142, também conhecida como Estrada Serramar, que serpenteia entre montanhas e vales até chegar ao distrito. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, seguido pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão. Muitos visitantes combinam Lumiar com São Pedro da Serra, a apenas 4 km, formando um roteiro clássico da região serrana.

Leia também: Dezenas de cachoeiras e um cânion gigantesco fazem desta cidade um dos destinos mais impressionantes do Paraná

Suba a Serramar e conheça o distrito onde nasce o Rio Macaé

Lumiar é o tipo de destino em que a natureza dita o roteiro e o silêncio ainda organiza o dia. Uma piscina de 6 metros de profundidade em plena Mata Atlântica. Um cânion estreito com escorrega natural em rocha. Um coreto no centro do vilarejo onde ainda toca forró aos domingos. E, ao redor, um lago colonial cercado por chalés de madeira e uma trilha que sobe 1.348 metros até um mirante panorâmico da Serra do Mar.



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