Brasília,

Paredões de quartzito e águas esverdeadas: a cidade mineira onde a hidrelétrica dos anos 1960 forjou um lago de 1.440 km² e o Mar de Minas


Poucos municípios brasileiros conseguem transformar uma obra de engenharia em cartão-postal natural. No sudoeste de Minas Gerais, a cerca de 280 km de Belo Horizonte, Capitólio guarda esse conjunto. A cidade fica às margens do Lago de Furnas, um dos maiores reservatórios artificiais do Brasil, criado nos anos 1960 com a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas. O espelho d’água ganhou o apelido de Mar de Minas e os cânions que emergiram das antigas montanhas alagadas viraram destino de aventura no interior mineiro.

Como um lago artificial virou o Mar de Minas?

A resposta está em uma obra concluída em 1963. A construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, alterou drasticamente a geografia local. Segundo o portal oficial de Turismo de Minas Gerais, o reservatório cobre uma área de 1.440 km², o equivalente a quase quatro vezes a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

O alagamento submergiu áreas agrícolas e revelou o topo de montanhas que hoje formam ilhas, penínsulas e enseadas. O que era vale rochoso virou espelho d’água, e o resultado é uma paisagem inédita no interior brasileiro. O lago banha mais de 30 municípios, mas é em Capitólio, na península de Escarpas do Lago, que a paisagem chega à sua forma mais fotografada.

Capitólio, Minas Gerais // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

O que são os cânions que viraram cartão-postal?

Os famosos Cânions de Furnas são paredões de quartzito que emergem diretamente das águas verde-esmeralda do lago. As paredes chegam a cerca de 20 metros de altura e formam corredores estreitos navegáveis. O acesso é feito exclusivamente por embarcação, geralmente lanchas ou catamarãs contratados no Porto Turístico Escarpas do Lago.

O passeio inclui parada em pontos como a Cachoeira Cascatinha e a Lagoa Azul, onde é possível mergulhar em águas cristalinas em meio às falésias. Depois do acidente ocorrido em janeiro de 2022, quando um paredão de rocha desabou sobre lanchas na região, os passeios seguem protocolos rígidos: geólogos contratados pela Prefeitura de Capitólio vistoriam os pontos diariamente, o uso de capacete e colete salva-vidas é obrigatório e apenas algumas embarcações entram por vez no setor mais fechado.

Capitólio, Minas Gerais // Créditos: depositphotos.com / aln2311

Por que Capitólio virou o principal destino turístico do sudoeste mineiro?

A cidade concentra a maior frota de embarcações de turismo de Minas Gerais. Além dos cânions, o município tem cachoeiras, mirantes e complexos ecoturísticos que aproveitam a paisagem gerada pelo lago. O Mirante dos Canyons, às margens da MG-050, é um dos pontos mais procurados por quem prefere ver o cenário de cima, sem entrar em barco.

A visitação cresceu de forma acelerada na última década. A cidade tem cerca de 10 mil habitantes, mas recebe fluxo de dezenas de milhares de turistas na alta temporada. O bairro Escarpas do Lago concentra pousadas, resorts e restaurantes flutuantes, com hospedagens que vão do camping ao alto padrão.

Quais são as atrações mais procuradas em Capitólio?

A cidade combina passeios de lancha, cachoeiras, mirantes e complexos ecoturísticos. Confira os principais programas:

  • Cânions de Furnas: paredões de quartzito acessíveis apenas por embarcação, cartão-postal da região.
  • Mirante dos Canyons: parque em terra firme com vista panorâmica dos cânions e das lanchas ancoradas.
  • Cachoeira Lagoa Azul: queda cristalina acessível por barco ou trilha, com piscina natural para banho.
  • Cascata Eco Parque: complexo com várias quedas em níveis de pedra alaranjada que escorrem até o lago.
  • Paraíso Perdido: complexo particular com 18 piscinas naturais, tirolesa e rapel em meio a cânions.
  • Morro do Chapéu: um dos pontos mais altos da região, com mais de 1.000 metros de altitude e vista de todo o lago.
  • Cachoeira Diquadinha: queda rasa ideal para famílias com crianças pequenas.

Este vídeo do canal TADI viagem, com 139 mil visualizações, apresenta um guia completo sobre Capitólio (Minas Gerais), destacando os famosos passeios de lancha pelos cânions da Represa de Furnas, a Lagoa Azul, o Mirante dos Cânions, o Complexo Ecológico da Capivara, além de dicas de hospedagem e da tradicional culinária mineira.

Como é o clima em Capitólio ao longo do ano?

Capitólio tem clima tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos e amenos. As chuvas concentradas no verão exigem atenção especial na segurança dos passeios de lancha aos cânions. Veja abaixo a divisão por estação:



Dez-Fev
19-30°C

☔ Alta

⚠️ Atenção: Risco de trombas d’água nos passeios de lancha.

Alta temporada! Período chuvoso ideal para ver as cachoeiras cheias e curtir o complexo Paraíso Perdido.

CACHOEIRAS E PARAÍSO PERDIDO

Mar-Mai
17-28°C

🌤️ Média

Clima agradável propício para o tradicional passeio de lancha e visita ao Mirante dos Cânions.

PASSEIO DE LANCHA E MIRANTE

Jun-Ago
12-26°C

☀️ Baixa

Ideal! Período seco perfeito para explorar os imponentes Cânions de Furnas e a trilha do Morro do Chapéu.

CÂNIONS DE FURNAS E MORRO

Set-Nov
15-29°C

🌤️ Média

Temperaturas elevadas excelentes para visitar a Lagoa Azul e o Cascata Eco Parque.

LAGOA AZUL E CASCATA



Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar em Capitólio?

De Belo Horizonte, o trajeto é de cerca de 280 km, com aproximadamente 4 horas de carro pela BR-381 e MG-050. De São Paulo, são aproximadamente 470 km, com trajeto de 6 horas. Os aeroportos mais próximos são o de Confins (BH) e o de Ribeirão Preto. Ônibus interestaduais fazem a ligação com Belo Horizonte diariamente.

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A cidade mineira onde a engenharia criou uma paisagem que virou destino

Capitólio combina em pouco espaço o maior espelho d’água artificial do interior brasileiro, cânions de quartzito emergindo direto do lago e uma frota de embarcações que virou marca do turismo mineiro. Poucos lugares no Brasil conseguem oferecer essa combinação de aventura náutica e patrimônio natural gerado por uma obra de engenharia.



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