{"id":31418,"date":"2026-06-16T10:49:11","date_gmt":"2026-06-16T13:49:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioalagoas.com.br\/?p=31418"},"modified":"2026-06-16T10:49:11","modified_gmt":"2026-06-16T13:49:11","slug":"candidaturas-femininas-crescem-mas-numero-de-eleitas-continua-baixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioalagoas.com.br\/?p=31418","title":{"rendered":"Candidaturas femininas crescem, mas n\u00famero de eleitas continua baixo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>O n\u00famero de mulheres que disputam vagas para a C\u00e2mara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022, mas n\u00e3o houve avan\u00e7o proporcional na ocupa\u00e7\u00e3o de cadeiras no Legislativo. <\/strong>O total de candidatas \u00e0 C\u00e2mara saltou de 358, em 1998, para 3.668, em 2022, um aumento de aproximadamente 925%. No mesmo per\u00edodo, o n\u00famero de deputadas federais eleitas passou de 29 para 90, alta de 210%.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1693484&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1693484&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Os dados est\u00e3o no <a href=\"https:\/\/redem.c3sl.ufpr.br\/\" target=\"_blank\">Portal da Classe Pol\u00edtica<\/a>, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (16) pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia Representa\u00e7\u00e3o e Legitimidade Democr\u00e1tica (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paran\u00e1\u00a0(UFPR).<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das cadeiras da C\u00e2mara dos Deputados e 17,8% das vagas nas assembleias estaduais, os maiores percentuais da s\u00e9rie hist\u00f3rica analisada, mas ainda abaixo de um quinto da representa\u00e7\u00e3o parlamentar total.<\/p>\n<p>Nas assembleias legislativas estaduais, o padr\u00e3o \u00e9 semelhante. Embora historicamente apresentassem maior participa\u00e7\u00e3o feminina do que na C\u00e2mara dos Deputados, atualmente os dois n\u00edveis convergem para cerca de 18% de representa\u00e7\u00e3o de mulheres. O percentual \u00e9 distante tanto da paridade com os homens (50%) quanto do piso de 30% exigido para as candidaturas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, parte do crescimento das candidaturas \u00e9 explicada\u00a0pela Lei das Cotas de G\u00eanero (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9504.htm\" target=\"_blank\">Lei 9.504\/1997<\/a>) e a Minirreforma Eleitoral (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2009\/lei\/l12034.htm\" target=\"_blank\">Lei n\u00ba 12.034\/2009<\/a>), que estabeleceu reserva m\u00ednima de 30% das candidaturas proporcionais para cada g\u00eanero. Segundo os pesquisadores, no entanto, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o garantiu condi\u00e7\u00f5es equivalentes de competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=466105:cheio_8colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/WGdZyPUbhxz8h84ReZoA80Fgd_A=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/06\/16\/grafico_sobre_mulheres_eleitas.jpg?itok=wmYqUAro\" alt=\"Gr\u00e1fico Mulheres Eleitas\" title=\"Portal da Classe Pol\u00edtica\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/WGdZyPUbhxz8h84ReZoA80Fgd_A=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/06\/16\/grafico_sobre_mulheres_eleitas.jpg?itok=wmYqUAro\" alt=\"Gr\u00e1fico Mulheres Eleitas\" title=\"Portal da Classe Pol\u00edtica\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=466105 --><\/div>\n<\/div>\n<h2>Desigualdade nos partidos<\/h2>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico Nilton Sainz, pesquisador da UFPR respons\u00e1vel pelo Portal da Classe Pol\u00edtica, os principais motivos para as mulheres n\u00e3o ocuparem mais vagas no Legislativo t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com mecanismos de poder dos pr\u00f3prios partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro deles \u00e9 o controle partid\u00e1rio dos recursos. H\u00e1 um acesso muito desigual no financiamento de campanha. As mulheres recebem menos recursos e costumam receber os valores mais em materiais de campanha, enquanto homens recebem mais em dinheiro. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma exclus\u00e3o sistem\u00e1tica das mulheres nos cargos de decis\u00e3o dentro dos partidos e isso reflete em quest\u00f5es como visibilidade e tempo de televis\u00e3o&#8221;, avalia o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Outro problema \u00e9 o n\u00famero de candidaturas &#8216;laranjas&#8217; femininas. Chamamos assim as candidaturas que n\u00e3o t\u00eam viabilidade de realmente disputar a vaga, mas s\u00e3o colocadas ali apenas para bater as cotas obrigat\u00f3rias&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, a baixa representa\u00e7\u00e3o feminina\u00a0tamb\u00e9m produz impactos sobre a agenda p\u00fablica e reduz o debate sobre temas essenciais para as mulheres nos espa\u00e7os de decis\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Vamos pegar o exemplo do combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero e\u00a0ao feminic\u00eddio. Podemos citar outros temas como pol\u00edtica de cuidados de sa\u00fade e cria\u00e7\u00e3o de creches, que s\u00e3o quest\u00f5es priorit\u00e1rias para as mulheres. Quando elas s\u00e3o exclu\u00eddas dos espa\u00e7os de poder, suas vozes s\u00e3o silenciadas, os impactos s\u00e3o diretos. Or\u00e7amento para essas agendas pode ser diminu\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o a outras coisas que se tornam prioridades legislativas&#8221;, diz o pesquisador Nilton Sainz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Portal da Classe Pol\u00edtica<\/h2>\n<p>Al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero, o Portal da Classe Pol\u00edtica transforma outros dados do <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/tags\/tse\" target=\"_blank\">Tribunal Superior Eleitoral (TSE)<\/a> em indicadores visuais, o que permite an\u00e1lise de candidaturas, patrim\u00f4nio e financiamento de campanhas de 14 elei\u00e7\u00f5es (de 1998 a 2024).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel fazer an\u00e1lises em n\u00edvel municipal, estadual e n\u00edvel federal. Por exemplo, conhecer o perfil de candidaturas, o perfil de eleitos, o perfil dos pr\u00f3prios partidos. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma s\u00e9rie de indicadores sobre patrim\u00f4nio, taxas de reelei\u00e7\u00e3o e funcionamento do legislativo&#8221;, explica Nilton.<\/p>\n<p>&#8220;Ao consolidar toda essa massa de dados fornecidas pela Justi\u00e7a Eleitoral, conseguimos aproximar informa\u00e7\u00f5es para o cidad\u00e3o que antes pareciam muito distantes. \u00c9 uma ferramenta que as organiza melhor e as torna mais audit\u00e1veis&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2026-06\/candidaturas-femininas-crescem-mas-numero-de-eleitas-continua-baixo\">Ag\u00eancia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de mulheres que disputam vagas para a C\u00e2mara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022, mas n\u00e3o houve avan\u00e7o proporcional na ocupa\u00e7\u00e3o de cadeiras no Legislativo. 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