{"id":32748,"date":"2026-07-09T11:43:13","date_gmt":"2026-07-09T14:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioalagoas.com.br\/?p=32748"},"modified":"2026-07-09T11:43:13","modified_gmt":"2026-07-09T14:43:13","slug":"feriado-de-9-de-julho-do-levante-de-oposicao-a-vargas-a-data-civica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioalagoas.com.br\/?p=32748","title":{"rendered":"Feriado de 9 de julho: do levante de oposi\u00e7\u00e3o a Vargas \u00e0 data c\u00edvica"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>O 9 de julho \u00e9 feriado em S\u00e3o Paulo desde 1997, celebrando a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, quando o estado iniciou um movimento militar contra o governo central, na \u00e9poca a primeira fase do governo Get\u00falio Vargas na presid\u00eancia do Brasil.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1696289&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1696289&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Entre os historiadores, sua constru\u00e7\u00e3o como data c\u00edvica remete ao crescimento r\u00e1pido e mudan\u00e7as de identidade de um estado, e principalmente de uma cidade, que se reorganizou nas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p>Tratado como um marco c\u00edvico em suas comemora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o foi nem o primeiro levante militar no estado nem a primeira mobiliza\u00e7\u00e3o contra um governo impopular entre suas elites.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o vem na esteira da primeira grande crise do sistema financeiro internacional. Com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, uma crise j\u00e1 em andamento impactou de vez a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 no estado, ent\u00e3o o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o paulista.<\/p>\n<p><strong>Crise decisiva para o sucesso do levante militar que destituiu Washington Lu\u00eds da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, antes da posse de J\u00falio Prestes, candidato apoiado pelas elites paulista e mineira. Uma junta militar marchou at\u00e9 a ent\u00e3o capital federal e destituiu o governo, colocando em seu lugar o ga\u00facho Get\u00falio Vargas.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA deposi\u00e7\u00e3o do presidente Washington Lu\u00eds e o fim da Pol\u00edtica do Caf\u00e9 com Leite, em 1930, proporcionaram, em alguma medida, o isolamento das elites agr\u00e1rias e industriais paulistas do poder central. Com o intuito de mobilizar a popula\u00e7\u00e3o para uma guerra civil contra o governo provis\u00f3rio de Vargas\u201d, explica o professor Ar\u00e3o Davi Oliveira, da Universidade Anhanguera (Uniderp).<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEssas elites passaram a construir uma narrativa ufanista e unificadora que aglutinou um discurso legalista e o mito da lideran\u00e7a paulista. O discurso legalista \u2018vestiu a roupa\u2019 da defesa da Constitui\u00e7\u00e3o e colocou S\u00e3o Paulo no papel de guardi\u00e3o altru\u00edstas da legalidade contra o arb\u00edtrio varguista\u201d, acrescentou o historiador.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Uma das medidas de Vargas foi estabelecer seus pr\u00f3prios governadores, chamados de interventores, nos estados. Tr\u00eas deles governaram por alguns dias, enfrentando oposi\u00e7\u00e3o ferrenha.<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro a ficar mais tempo foi Jo\u00e3o Alberto Lins de Barros, tenente pernambucano que participou da Revolta Paulista de 1924 e da Coluna Prestes, liderando um de seus quatro destacamentos originais. Ap\u00f3s romper com Prestes, aliou-se ao grupo pol\u00edtico que apoiou a mobiliza\u00e7\u00e3o de Get\u00falio, e estava longe de ser bem recebido pelos pol\u00edticos paulistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o de intelectuais e pol\u00edticos, a imprensa local e os partidos, principalmente o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Democr\u00e1tico (PD), conservadores, realizaram campanhas contr\u00e1rias a medidas pol\u00edticas de Get\u00falio, em favor de uma moderniza\u00e7\u00e3o que preocupava seus opositores. Os \u00e2nimos come\u00e7aram a se exaltar, at\u00e9 a troca de Jo\u00e3o Alberto. Em mar\u00e7o de 1932 Pedro de Toledo foi instalado como interventor. Civil, era um nome de concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Em 23 de maio uma mobiliza\u00e7\u00e3o, com cerca de 300 pessoas, come\u00e7ou na Faculdade de Direito e se dirigiu para a sede do Partido Popular Paulista, que apoiava Vargas.<\/strong> O grupo pretendia, segundo o inqu\u00e9rito policial da \u00e9poca, \u201cempastelar\u201d a sede. Na pr\u00e1tica atearam fogo em parte do pr\u00e9dio, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, onde moravam fam\u00edlias que n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o com o partido.<\/p>\n<p>Perto dali havia uma guarni\u00e7\u00e3o federal, que foi \u00e0s janelas e abriu fogo contra a popula\u00e7\u00e3o, que impedia a atua\u00e7\u00e3o dos bombeiros. O inqu\u00e9rito policial e o processo judici\u00e1rio, arquivado em 1954, n\u00e3o conseguiram identificar os autores dos disparos.<\/p>\n<p><strong>Naquela noite tr\u00eas pessoas morreram: M\u00e1rio Martins de Almeida, Euclides Miragaia e Ant\u00f4nio Americo de Camargo Andrade. Poucos dias depois morreu Dr\u00e1usio Marcondes de Sousa. Em homenagem a eles foi estabelecido o acr\u00f4nimo M.M.D.C., que se tornou s\u00edmbolo do movimento posterior. Orlando de Oliveira Alvarenga, tamb\u00e9m ferido naquela noite, morreu em agosto do mesmo ano.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=468685:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/6oEnixYO7bPE2D04p-k60CBwfSY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/09\/poster_1932_no2_copy.jpg?itok=dlv92M2J\" alt=\"Cartaz representando bandeirante num dram\u00e1tico instante congelando, evocando a resist\u00eancia e a causa paulista. Foto: Wkip\u00e9dia\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Wkip\u00e9dia\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/6oEnixYO7bPE2D04p-k60CBwfSY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/09\/poster_1932_no2_copy.jpg?itok=dlv92M2J\" alt=\"Cartaz representando bandeirante num dram\u00e1tico instante congelando, evocando a resist\u00eancia e a causa paulista. Foto: Wkip\u00e9dia\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Wkip\u00e9dia\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=468685 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=468685-->Poucos dias depois morreu Dr\u00e1usio Marcondes de Sousa. Em homenagem a eles foi estabelecido o acr\u00f4nimo M.M.D.C. &#8211;\u00a0por Wkip\u00e9dia\/Divulga\u00e7\u00e3o<!--END copyright=468685--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Comovida pelas mortes, a opini\u00e3o p\u00fablica se inflamou ainda mais. Pedro de Toledo rompeu em 9 de julho com o governo de Get\u00falio e foi proclamado governador do estado, iniciando a mobiliza\u00e7\u00e3o separatista. Sem apoio de outros estados que sinalizaram descontentamento com Vargas, o movimento paulista iniciou combates para expulsar as tropas federais. Foram vencidos em cerca de tr\u00eas meses, com a rendi\u00e7\u00e3o em 2 de outubro.<\/p>\n<p>Alegando vit\u00f3ria com o avan\u00e7o das a\u00e7\u00f5es pelo estabelecimento de uma Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que seria promulgada em 1934, cafeicultores, industriais e militares do estado se mantiveram como opositores, mais moderados, ao governo de Vargas, que permaneceu de forma cont\u00ednua no poder at\u00e9 1945. O processo de revis\u00e3o constitucional, por\u00e9m, foi iniciado antes do levante, em fevereiro de 1932.<\/p>\n<p>A ideia de revolu\u00e7\u00e3o foi sendo constru\u00edda aos poucos e ganhou for\u00e7a durante os anos 1950, com a aproxima\u00e7\u00e3o do quarto centen\u00e1rio da cidade de S\u00e3o Paulo e uma grande mudan\u00e7a urbana na capital paulista, com a abertura de avenidas e grandes obras p\u00fablicas, como destaca o professor Francisco Quartim de Moraes, do curso de hist\u00f3ria da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEssa constru\u00e7\u00e3o foi marcada nessa ideia, falsa, de que perdemos, mas vencemos, e \u00e9 divulgada pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es de jornalismo da \u00e9poca, logo ap\u00f3s a derrota. Essa vit\u00f3ria foi estabelecida at\u00e9 pela historiografia, convencendo a toda a sociedade\u201d, destaca o professor, que \u00e9 autor do livro <em>A Hist\u00f3ria Invertida<\/em>, no qual analisa essa constru\u00e7\u00e3o e suas motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para Moraes, estava a reboque do ide\u00e1rio democr\u00e1tico o combate \u00e0s leis de cunho social de Jo\u00e3o Alberto, no estado, e do governo de Vargas. Entre as medidas criticadas, ligadas inclusive a um medo do comunismo e de uma revolu\u00e7\u00e3o social, estavam direitos trabalhistas e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edticas de mulheres.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cMeu av\u00f4 e meu tio-av\u00f4, assim como muitos outros combatentes, lutaram a meu ver pela democracia, mas acredito que estavam enganados por toda essa ideologia\u201d, contou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com o historiador, parte razo\u00e1vel da oligarquia unida nesse movimento, que se insurge contra movimentos anteriores da Primeira Rep\u00fablica, como o sufragismo, o tenentismo e as revoltas de trabalhadores, tinham origem nas fam\u00edlias de produtores de caf\u00e9, e v\u00e3o influenciar a pr\u00f3pria Faculdade de Direito e outros centros do pensamento da \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Esse movimento, segundo Moraes, teve participa\u00e7\u00e3o de defensores da separa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo do restante pa\u00eds, como o escritor Monteiro Lobato, mas tamb\u00e9m de intelectuais que defendiam ideias anticomunistas, fascistas, racistas e mesmo aproximadas com o nazismo, que se organizava na Alemanha nos anos seguintes.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO nove de julho \u00e9 uma esp\u00e9cie de cria\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica de uma identidade paulista, e a\u00ed fica muito dif\u00edcil voc\u00ea ter uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre esse movimento, quando ela \u00e9 sempre idealizada\u201d, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cEu acho por um lado normal que ex-participantes, organiza\u00e7\u00f5es como o pr\u00f3prio MMDC, que atua at\u00e9 hoje, defendam a mem\u00f3ria do movimento de 1932, ou que os jornais como o <em>Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>, que participou diretamente da organiza\u00e7\u00e3o, defendam esse tipo de posi\u00e7\u00e3o (positiva do movimento). Mas, o que eu sempre achei estranho \u00e9 que essa posi\u00e7\u00e3o fosse dominante entre os historiadores. Existia quase um consenso em rela\u00e7\u00e3o ao debate de 1932, que tem melhorado e se tornado mais cr\u00edtico, mas de fato s\u00e3o fatores muitos escondidos\u201d, pondera o historiador.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=468687:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/G8vs4Dznh9bokdxfZ_frSjI1YpM=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/09\/23-de-maio-1932-rua-xv-de-novembro-1024x763-1024x585-1_copy.jpg?itok=WDFa5cVv\" alt=\"Manifestantes na Rua XV de Novembro, em S\u00e3o Paulo-SP, durante os protestos ocorridos em 23 de maio de 1932. Foto: Wikimedia Commons\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Wikimedia Commons\/ Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/G8vs4Dznh9bokdxfZ_frSjI1YpM=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/09\/23-de-maio-1932-rua-xv-de-novembro-1024x763-1024x585-1_copy.jpg?itok=WDFa5cVv\" alt=\"Manifestantes na Rua XV de Novembro, em S\u00e3o Paulo-SP, durante os protestos ocorridos em 23 de maio de 1932. Foto: Wikimedia Commons\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Wikimedia Commons\/ Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=468687 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=468687-->Protestos ocorridos em 23 de maio de 1932. Movimento teve participa\u00e7\u00e3o de defensores da separa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo do restante pa\u00eds &#8211; por Wikimedia Commons\/ Divulga\u00e7\u00e3o<!--END copyright=468687--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Governo M\u00e1rio Covas<\/h2>\n<p><strong>A consolida\u00e7\u00e3o da data como um feriado estadual se deu 65 anos ap\u00f3s o movimento, em 1997, durante o governo de M\u00e1rio Covas<\/strong>. Na ocasi\u00e3o, parte das grandes avenidas, na capital paulista e em muitas das principais cidades do estado, j\u00e1 faziam alus\u00e3o \u00e0s datas e personagens do levante, mas por qu\u00ea ampliar essa homenagem?<\/p>\n<p>\u201cO feriado de 32 dialoga com essa ideia de que S\u00e3o Paulo sempre esteve no protagonismo, mas tamb\u00e9m de vincular o Brasil aos novos tempos das transforma\u00e7\u00f5es internacionais, da abertura que ocorria durante o governo de Fernando Henrique. A elite paulista sempre lutou contra aquilo que representava a Era Vargas\u201d, disse o professor Leandro Torelli, da Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo (FESPSP). Tratava-se, de certa forma, de \u201centerrar Vargas\u201d, como o pr\u00f3prio FHC destacou em seu discurso de posse como presidente da Rep\u00fablica, em 1995.<\/p>\n<p>Para Torelli, que jocosamente lembra que ningu\u00e9m reclama de feriados, a disputa por esse papel de protagonismo \u00e9 uma caracter\u00edstica da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica paulista, que tem tr\u00eas eixos principais: os movimentos e partidos ligados a uma ideia de desenvolvimento nacional, estatista, buscando a integra\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira e ligado \u00e0s nossas esquerdas.<\/p>\n<p>Uma segunda linha que pensa em uma integra\u00e7\u00e3o como algo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e remonta a um ide\u00e1rio de um povo brasileiro que vale a pena salvar, que \u00e9 mais ligado a um pensamento conservador, e uma terceira linha, que \u00e9 a dos liberais, que defende um liberalismo econ\u00f4mico, mas que tem uma s\u00e9rie de discursos de car\u00e1ter conservador e remetendo a um passado \u201cglorioso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Essa terceira linha, avalia Torelli, \u00e9 justamente a que reivindica essa mem\u00f3ria e seu discurso. Defende, por exemplo, bandeiras de uma democracia liberal, \u201cembora seja a primeira a discutir o resultado eleitoral quando \u00e9 derrotada nas urnas\u201d, pondera.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA cria\u00e7\u00e3o do feriado de 9 de julho \u00e9 revestida de uma m\u00edtica que almeja converter a derrota militar dos paulistas em um triunfo de coes\u00e3o regional. Logo ap\u00f3s a rendi\u00e7\u00e3o paulista, em outubro de 1932, iniciou-se o processo de valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria em torno do sacrif\u00edcio da juventude, simbolizada no acr\u00f4nimo MMDC, e da romantiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o de todas as classes em prol do conflito\u201d, explica o professor Ar\u00e3o Davi Oliveira, para quem essa narrativa intr\u00ednseco e diferenciado \u00e9 reavivada anualmente e utilizada como elemento identit\u00e1rio, principalmente por pol\u00edticos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Um dos espa\u00e7os mais importantes para essa discuss\u00e3o \u00e9 justamente a escola. Oliveira a coloca como decisiva para a propaga\u00e7\u00e3o desse ide\u00e1rio, mas tamb\u00e9m como o principal ambiente para uma discuss\u00e3o cr\u00edtica e necess\u00e1ria a partir desses marcos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>\u201cAfinal, o curr\u00edculo trabalhado nas escolas nunca \u00e9 rigidamente imposto por diretrizes e intencionalidades legais; ele sempre \u00e9 recontextualizado na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, afetado pela cultura local e pela realidade social dos atores que atuam no \u2018ch\u00e3o da escola\u2019, promovendo assim discuss\u00f5es cr\u00edticas e emancipadas sobre a identidade paulista e as contribui\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo na constru\u00e7\u00e3o de uma unidade nacional\u201d, conclui o professor.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2026-07\/feriado-de-9-de-julho-do-levante-de-oposicao-vargas-data-civica\">Ag\u00eancia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 9 de julho \u00e9 feriado em S\u00e3o Paulo desde 1997, celebrando a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, quando o estado iniciou um movimento militar contra o governo central, na \u00e9poca a primeira fase do governo Get\u00falio Vargas na presid\u00eancia do Brasil. 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