{"id":34191,"date":"2026-08-06T10:17:17","date_gmt":"2026-08-06T13:17:17","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioalagoas.com.br\/?p=34191"},"modified":"2026-08-06T10:17:17","modified_gmt":"2026-08-06T13:17:17","slug":"busca-por-profundidade-e-dinamismo-marca-40-anos-do-revista-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioalagoas.com.br\/?p=34191","title":{"rendered":"Busca por profundidade e dinamismo marca 40 anos do Revista Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Naquele 6 de agosto, o rep\u00f3rter sergipano A\u00e9cio Amado, de 35 anos, acordou pouco depois das 4h da madrugada e chegou \u00e0s 5h, antes do raiar do dia, \u00e0\u00a0reda\u00e7\u00e3o da <strong>R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro<\/strong>, pronto para o que viesse. Ele iria estrear em um novo programa jornal\u00edstico, o <em>Revista Nacional<\/em>, e, dessa vez, falaria para o pa\u00eds inteiro.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1698851&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1698851&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Era normal, em sua rotina, carregar a tiracolo uma montanha de fichas telef\u00f4nicas, um pesado carregador de fita, bloco de anota\u00e7\u00f5es e canetas. Pesquisou\u00a0o que acontecia no tr\u00e2nsito e nas delegacias. E n\u00e3o faltariam not\u00edcias, mesmo sendo em um Rio de Janeiro diferente, naquele \u201cinverno\u201d quente de 1986.\u00a0<\/p>\n<p>Na estreia do novo programa, deixou qualquer nervosismo de lado e ouviu o chamado do apresentador goiano Valter Lima, tamb\u00e9m de 35 anos, direto de Bras\u00edlia. Acompanhou o que se passava pelo pa\u00eds na voz dos colegas. O <em>Revista Nacional<\/em> ganharia o nome depois, em 1998, de <em>Revista Brasil<\/em>, com a mesma l\u00f3gica de trazer informa\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, aprofundadas e entrevistas com duas horas de dura\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<h2>Vida de reportagem<\/h2>\n<p>Quarenta anos depois e aposentado recentemente, A\u00e9cio garante que o dia a dia na r\u00e1dio \u00e9 sempre recheado de emo\u00e7\u00f5es fortes, como a que ocorreu em 1988, na v\u00e9spera do Ano Novo. Ele foi acionado para cobrir o naufr\u00e1gio do navio Bateau Mouche IV, que provocou a morte de 55 pessoas na Ba\u00eda de\u00a0Guanabara.<\/p>\n<p>\u201cFoi marcante e tamb\u00e9m muito triste. Quando cheguei, o port\u00e3o do Salvamar, da Marinha, estava aberto. E vi os corpos chegando trazidos nas lanchas\u201d. O programa come\u00e7ou \u00e0s 8h da manh\u00e3, mas o rep\u00f3rter j\u00e1 havia passado a noite em claro com as not\u00edcias tristes que chegavam. \u201cFaz parte da vida do rep\u00f3rter\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<h2>Duas horas sem parar<\/h2>\n<p>Quem conhece bem essa realidade \u00e9 Valter Lima, que esteve \u00e0 frente do programa nas \u00faltimas\u00a0 quatro d\u00e9cadas de forma ininterrupta. Ele, que foi contratado para ajudar na formula\u00e7\u00e3o de um \u201cprojeto inovador\u201d para um programa que priorizasse informa\u00e7\u00e3o e dinamismo por duas horas a cada dia, tamb\u00e9m ficou conhecido entre os colegas por madrugar no est\u00fadio em nome de dar not\u00edcia em primeira m\u00e3o a partir da capital.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cNasceu a proposta de utilizar a r\u00e1dio como ve\u00edculo de aprofundamento\u00a0das quest\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas, sociais, internacionais e human\u00edsticas\u201d, afirmou Lima.\u00a0 Por isso, o programa n\u00e3o era transmitido apenas de Bras\u00edlia, mas tamb\u00e9m do Rio de Janeiro e at\u00e9 do Amazonas. \u201cMais de 200 emissoras ao vivo transmitiam desde o come\u00e7o\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo Valter Lima, um dos primeiros grandes desafios do programa foi traduzir ao p\u00fablico as discuss\u00f5es dos parlamentares para a formula\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Ele recorda que tinha acesso a diferentes fontes de informa\u00e7\u00e3o nessa \u00e9poca, em fun\u00e7\u00e3o de que, nas coberturas, chegou a participar, antes de 1985, do Movimento das Diretas J\u00e1.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Da Amaz\u00f4nia, outro desafio foi a cobertura da primeira epidemia do c\u00f3lera no pa\u00eds, em 1991. A equipe se deslocou para diferentes pontos da Amaz\u00f4nia para registrar o problema. No ano seguinte, ele considerou tamb\u00e9m hist\u00f3rica a cobertura da \u201cEco 92\u201d, Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho daquele ano.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA equipe do <em>Revista Brasil<\/em> sabe da responsabilidade que \u00e9 veicular conte\u00fados a partir de uma emissora p\u00fablica porque esse material \u00e9 replicado dentro e fora do Brasil gra\u00e7as \u00e0 credibilidade que todos n\u00f3s constru\u00edmos. N\u00e3o podemos falhar\u201d.\u00a0 Desde os primeiros programas, o Revista chegava a mais de 30 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>A chacina da Candel\u00e1ria, em julho de 1993, quando oito crian\u00e7as e adolescentes foram mortos em frente \u00e0quela igreja no centro do Rio, tamb\u00e9m sensibilizou o experiente jornalista. \u201cEssa hist\u00f3ria tocou no cora\u00e7\u00e3o da gente\u201d. Ele lembra\u00a0os detalhes de quando recebeu as primeiras not\u00edcias dos jovens.<\/p>\n<h2>Vozeir\u00e3o<\/h2>\n<p>A juventude, em particular, \u00e9 um tema que sempre tocava o apresentador. Ele Lembrou de quando saiu de An\u00e1polis (GO) para tentar a vida em Bras\u00edlia. Alistou-se como soldado da Aeron\u00e1utica e fazia bicos de locutor na rodovi\u00e1ria, no centro da capital. Em um desses an\u00fancios, diretores de r\u00e1dio queriam saber mais daquele vozeir\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQueria ganhar um dinheirinho para estudar\u201d. De repente, j\u00e1 trabalhava na R\u00e1dio Alvorada. Depois, para a Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), foi um pulo. Finalmente, teve a carteira assinada. Mais do que o sucesso profissional, orgulha-se de ter sido ouvido na r\u00e1dio de pilha pelo pai, Ad\u00e3o, pedreiro, e pela m\u00e3e, Dalva,\u00a0ambos j\u00e1 falecidos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cFico orgulhoso de ser parte da hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Nos bastidores<\/h2>\n<p>Nem todos que se dedicam \u00e0 r\u00e1dio foram aos microfones. Entre essas pessoas, a produtora F\u00e1tima Ara\u00fajo chegou \u00e0 empresa em 1977. Ela come\u00e7ou como auxiliar administrativa da <strong>R\u00e1dio Nacional da Amaz\u00f4nia<\/strong>. De repente, passou a entrar nos est\u00fadios. Inicialmente, recebia as cartas dos ouvintes para selecionar e serem lidas no programa.\u00a0<\/p>\n<p>Chegava de tudo, inclusive perfumadas com talco ou objetos de recorda\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0informa\u00e7\u00f5es, pedidos e sugest\u00f5es de mais pautas. \u201cO Valter chegava muito cedo. Antes de todos. Acendia e apagava as luzes da r\u00e1dio \u00e0 noite\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A internet mudou a forma de intera\u00e7\u00e3o desde o final dos anos 90. As cartas perfumadas deram lugar a <em>e-mails<\/em> que lotaram a caixa de entrada e \u201ca mensagens o tempo inteiro\u201d. \u201cMas a correria nunca mudou\u201d, diz a produtora.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2026-08\/busca-por-profundidade-e-dinamismo-marca-40-anos-do-revista-brasil\">Ag\u00eancia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquele 6 de agosto, o rep\u00f3rter sergipano A\u00e9cio Amado, de 35 anos, acordou pouco depois das 4h da madrugada e chegou \u00e0s 5h, antes do raiar do dia, \u00e0\u00a0reda\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Nacional do Rio de Janeiro, pronto para o que viesse. 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